Existem diversos mitos sobre os perfis e ações dos usuários da web. Um deles fala que “Ninguém rola a página”. Nielsen, desde 2004, já considerava o scroll um fator contra a usabilidade e com o passar do tempo começou a “mudar” alguns de seus conceitos, “Scrolling Now Allowed” (Changes in Web Usability Since 1994). Embora no decorrer deste alertbox possa ser encontrado: “Scrolling still reduces usability” onde, para ele, a mera exibição ou não da barra de rolagem tem impacto na usabilidade, ao visitar seu site (useit.com), podemos pensar que ele é adepto do “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, pois existe um “scrollzão” estampado no lado direito do browser.
Então vamos levar à nossa realidade e atribuir esta pergunta:
Será mesmo que NINGUÉM rola a página?
Por alguma vez, seu gerente já comentou que seu design ou seu modelo de arquitetura está com um scroll grande? E os clientes? Já devem ter faltados argumentos para explicar que o conteúdo pode e deve estar visível mesmo contendo uma rolagem na página. Nielsen, no seu livro Usabilidade na Web, revela que, em suas pesquisas, os usuários que rolavam a tela eram cerca de 23% na primeira visitação da Homepage. Nesta mesma pesquisa, comprova que nas páginas internas o percentual de usuários que rolaram a tela cresceu de forma significativa. Uma outra pesquisa, desta vez realizada pelo Click Tail Blog, revela que, em cerca de 80.000 page views de centenas de sites diferentes, 91% porcento das páginas são longas o suficiente para conter scroll; dessas, 76% foi deslocado um pouco da rolagem e em 22% delas, a rolagem foi efetuada até o rodapé do site.
E por que ainda não é ideal usar o scroll?
Quem disse que não é? O fato é que devemos saber a ocasião ideal para seu “surgimento”. Em um trabalho da Jared Spool (www.uie.com/) é revelado que os usuários não se importam em fazer rolagem da página para encontrar o conteúdo que procuram, mas que eles deixam de fazê-la quando elementos horizontais da página sugerem que não há mais nada para se ver abaixo. Para exemplificar, mostro o portal globo.com, onde o título das categorias Notícias, Esportes e Entretenimento são exibidos na primeira tela do site (ou primeira dobra do jornal).

Imagine este portal, ou até mesmo o G1, adequando-se a filosofia “no-scroll”… Impraticável! mesmo atribuindo os conceitos Bruno Rodrigues da utilização de Chamada, Conteúdo Genérico, Conteúdo Expandido e Conteúdo Restrito, para dividir o “tipo” e “aprofundamento” do conteúdo para o leitor.
Outra boa tática para influenciar o usuário a rolar a tela seria o uso de imagem no corte da tela. Desde que esta seja de conteúdo, o usuário, se interessado, irá rolar para ver qual a informação passada por ela e assim verificaria todo resto do texto. Embora, para os dois últimos exemplos, deve-se ter muito cuidado com a resolução de tela utilizada pelo usuário e, principalmente, com a nova tendência do mobile e suas mais diversas resoluções (tema pelo qual devo dar continuidade com meu amigo Tiago Franklin, mestrando em artes (arte e tecnologia) e pesquisador das tecnologias móveis).